Ansiedade, Fobias, Ataques de Pânico e Stress
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Todos nós vivenciamos ansiedade em determinados momentos sem que isso constitua patologia ou um problema e pode aliás ser uma mais valia face aos desafios do nosso ciclo de vida: a ansiedade que uma criança jovem tem de se separar dos pais é útil face à necessidade de que sejam estes os principais prestadores de cuidados; a ansiedade que sente um jovem ao fazer o seu primeiro exame oral, torna-o mais pronto e mais rápido a responder à exigência das perguntas; a ansiedade que se sente quando nos atrasamos no trânsito facilita-nos gerar alternativas para escolhas de percursos mais efetivos, etc.
A ansiedade é aquilo que nos mantem preparados para uma reação ao perigo que enfrentamos ou que pensamos enfrentar. Sempre que temos medo de algo que nos possa agredir, o nosso corpo entra num estado de vigília e preparado para reagir a agressões exteriores. O córtex cerebral ativa-se, no sentido de se tornar mais ágil, de forma a que, confrontado com o perigo, consiga encontrar a melhor solução.
No entanto, quando sentimos ansiedade sem uma razão aparente, estranhamos e perturbamo-nos, frequentemente porque constatamos que esse estado nos limita: invade a nossa tranquilidade, cria estados de medo, ativa a vigilância e aumenta o stress face a perigos que, por vezes, reconhecemos racionalmente não ter a importância que lhes damos.
Existem, contudo, diferentes graus de ansiedade. Por vezes, a ansiedade exprime-se por um sentimento de medo, inquietação, sensação de perigo iminente, (medo de insucesso, morte súbita, medo de perder o controlo, medo de enlouquecer). Nestes casos, há uma perturbação no controlo normal da reação corporal ao medo e por isso é que, mesmo quando os níveis de exigência da situação em que estamos diminuem, a reação de ativação mantém-se, produzindo efeitos no corpo de forma continuada.
Quando estamos perante uma situação de exigência, o nosso corpo inicia um processo da ativação geral, desde o cérebro, ao resto do corpo, envolvendo o pensamento, as emoções e o comportamento. Concretamente no cérebro, é dada ordem para a libertação no sangue de cortisol e de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) para ajudarem na resposta fisiológica à situação em causa. E é por isso que em alguns casos, a ansiedade é acompanhada por algumas manifestações físicas, tais como, secura de boca, pulso acelerado, transpiração, tensão muscular, opressão torácica, dores de cabeça.
Perante situações indutoras de ansiedade, a atividade cognitiva por vezes desorganiza-se. Tornam-se mais frequentes as interpretações incorretas dos acontecimentos, que podem ser acompanhadas de baixa tolerância à frustração e um aumento da ansiedade, perpetuando um ciclo de mais irritação e preocupação. A atenção e a concentração também se podem comprometer, repercutindo-se no rendimento, na aprendizagem e na eficácia do trabalho.
- Ansiedade e o Comportamento
Os efeitos da ansiedade variam em função da circunstância de exigência e dos recursos e competências que julgamos ter para lidar com ela. Quanto mais intensa e prolongada for a situação de exigência, mais notórias são as alterações de comportamento que induz.
A ansiedade com um grau de intensidade moderado a grave é considerada uma perturbação. Existem variadas perturbações de ansiedade, focamos abaixo apenas as mais frequentes entre indivíduos jovens.
Trata-se da forma como organismo humano responde aos desafios do dia a dia que potencialmente ameaçam a sua harmonia e o seu bem-estar. Quando se consegue repor essa harmonia, utilizando estratégias pessoais, o ciclo do stress quebra-se e tudo regressa ao normal. Há, no entanto, casos em que isso não é possível e em que todo o organismo é afetado a nível físico e mental. Quando a tensão emocional é de tal forma intensa, o corpo e a mente revelam sinais de alerta, geralmente uma sensação de desgaste físico e mental, falhas de memória, dúvidas sobre a sua própria competência, apatia, desinteresse pelas habituais fontes de prazer, etc.
Também chamados vulgarmente “ataques de pânico”, são fenómenos abruptos de medo intenso ou desconforto forte que atingem um pico em poucos minutos, acompanhados de sintomas corporais e cognitivos. Nesta perturbação os episódios de ansiedade são frequentes e não se relacionam com situações ou objetos concretos. O medo de ter novos ataques de pânico faz com que se foque constantemente a atenção em sensações corporais. Quem experimenta estes fenómenos inesperados, está persistentemente apreensivo ou preocupado com a possibilidade de sofrer novos ataques de pânico (por. ex., evitamento de locais ou experiências). Esta hipervigilância redunda num aumento da ansiedade antecipatória, o que caracteriza um ciclo contínuo do pânico.
As fobias são geralmente específicas, isto é, circunscritas a um objeto ou temática. As pessoas com fobias específicas revelam apreensão, ansiedade e evitamento em relação à situação fóbica. Aquilo a que parecerá a alguns o “exagero” da reação emocional carateriza também as fobias: tratam-se de reações fortes, eventualmente um bloquear (por vezes as pessoas nem se conseguem mover) ou o oposto, isto é, uma grande agitação psicomotora.
Quando estamos perante fenómenos de ansiedade de intensidade significativa, isto é, quando a perturbação de ansiedade produz sofrimento, devemos procurar ajuda profissional. Não obstante, o próprio pode também potenciar as suas forças e competências pessoais para dar resposta à problemática, pelo que abaixo elencamos algumas estratégias para lidar com perturbações de natureza ansiosa:
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Estratégias de relaxamento |
Regular a velocidade da respiração através do abrandamento da expiração e da inspiração, o que facilita que a mensagem ao cérebro seja de que não há nenhuma situação de emergência.
Utilizar a respiração abdominal, facilitando a captação de energia pelo maior afluxo de oxigénio fornecido à corrente sanguínea.
Recorrer à visualização guiada, através de instruções dadas por uma gravação ou técnico, focando a sua atenção nas imagens que estão a ser descritas.
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Estratégias de atenção plena |
Fazer uma análise do corpo, guiando a sua atenção para sensações corporais, sem as depreciar ou afastar.
Em momentos de descontrolo emocional (tanto pânico como grande agressividade) fazer um esforço para se reorientar para o momento presente. Por exemplo, pensar em cinco coisas que possam ser vistas nesta sala; elencar quatro coisas que sinto no meu corpo; enumerar três coisas que possam ser ouvidas neste momento; duas coisas que se possam cheirar; fazer uma inspiração vigorosa.
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Estratégias de distração |
Utilizar atividades agradáveis para o próprio que aliviem sensações difíceis, como cantar ou ouvir música, receber e dar mimo, conversar, etc.
Fazer desenhos pormenorizados, trabalhos artísticos, costurar ou fazer tricot também podem ser bons exemplos de atividades que promovem a harmonia e sensações de bem-estar
Jogar jogos de estratégia ou de construção podem ser também alternativas.
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Estratégias de auto-reflexão |
Fazer um diário sobre acontecimentos e pensamentos e emoções associadas.
Registar, de 1 a 10, quanto se está ansioso.
Identificar em cada dia cinco aspetos da vida pelos quais se está grato.
Ler sobre saúde mental e bem-estar. |
Estratégias baseadas nos skills de tolerância à pressão de Linehan (2010)